RASCUNHOS E ESTUDOS

" O futuro tem muitos nomes. Para os fracos, é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade." (Victor Hugo)

domingo, 30 de dezembro de 2007

Cuidado com o "buy-and-forget"

Como muitos já sabem, existem basicamente 2 escolas de investimento em ações: fundamentalistas e grafistas. Em resumo, os fundamentalistas pregam o "buy-and-hold" (comprar e segurar, só negociando a ação quando realmente precisar do dinheiro) enquanto os grafistas tentam comprar na baixa e vender na alta, tentando cavalgar as tendências de mercado numa perspectiva de curto prazo.

Depois de muito tempo amargando baixa popularidade, renovou-se o interesse no buy-and-hold graças a praticamente um único sujeito: Warren Buffett, auto-proclamado comprador de longo prazo.

Embora eu mesmo seja partidário da análise fundamentalista, e isso desde antes do Buffett virar o garoto de ouro dos investidores, há algumas coisas que se deve pensar antes de adotar uma estratégia cega de comprar-e-esquecer:

1) O Buffett compra ações subvalorizadas de empresas que ele conhece muito bem, e participa das respectivas administrações enquanto investe nas mesmas. Portanto, não é exatamente comprar-e-esquecer.

2) É importante comprar barato (subvalorizado). Entrar na Bolsa no momento errado, nos picos das bolhas, pode ser desastroso. Ok, depois de 20 ou 30 anos você terá seu dinheiro de volta corrigido, mas teria sido o mesmo que aplicar na poupança.

3) Não se pode esquecer completamente da ação após comprar. O Buffett participa da administração da empresa que é acionista, portanto tem uma excelente visão de quando pular fora. É preciso eventualmente pular fora (de preferência cedo demais que tarde demais).

4) É fácil ser um investidor buy-and-hold num mercado estável como o americano, cuja alta da Bolsa dura quase 70 anos, ou seja, exceto pelo crash de 1929 nenhum investidor nos EUA teve de provar o item (2). No Brasil a coisa é diferente - a Bolsa oscila. Isso pode ser até bom porque cria oportunidades periódicas para comprar barato.

5) Mesmo considerando a subida exponencial dos índices Dow Jones (bolsa dos EUA) e Bovespa, note que esses índices são compostos pelas ações mais negociadas na bolsa, e a participação de cada ação no índice é revisada a cada poucos meses. Portanto, mesmo que você faça o investimento mais conservador possível na Bolsa querendo apenas acompanhar o índice, terá de negociar ações periodicamente para que sua carteira espelhe o índice. Ou então invista num fundo (e aceite um rendimento medíocre, sempre se aproximando "por baixo" do índice).

6) É possível e provável que diversas ações que já compuseram o Bovespa e o Dow Jones já viraram pó pois as respectivas empresas faliram, e o índice deixou de refletir essa queda logo que a ação deixou de ser muito negociada. Ou seja, pode-se dizer que os índices têm um "bias" de alta. Isto também significa que comprar ações e esquecer delas pode fazer o dinheiro virar pó.

7) Em particular no caso da Bovespa, muitas ações que de estatais valiam praticamente nada nos anos 80 hoje custam o valor justo de mercado. Ou seja, o índice teve uma alta artificial que nunca mais vai se repetir.

Encontrando a Esperança Matemática...

Imagine a seguinte situação:

Bob pode ter um método de operar onde ele esteja sempre certo em 70% do tempo, e ainda assim não tem lucros no longo prazo....

Porquê?

A razão disto é que os lucros são pequenos, e as perdas enormes.
Muitos especuladores são mais atraídos para estarem certos na maioria do tempo, mas talvez isso os leve a um desastre na prática...

De uma forma simples, esperança matemática é a média de quanto você espera ganhar (ou
perder) a cada Real (R$) arriscado, utilizando uma determinada estratégia, eis a fórmula:

Esperança Matatemática = (Probabilidade de Ganhar * Média dos lucros em R$) - (Probabilidade de Perder * Média das perdas em R$)

Exemplos práticos:

Ana, durante os seus ultimos 100 trades, ganhou em 30% do tempo (e portanto perdeu em 70% deles). Porém, a média de lucros entre todos os trades ganhadores de Ana foi de 10%, e a média entre todos os 70% de trades perdedores de Ana foi de 3%. Ana abria posições de R$10.000,00 cada, então a fórmula ficará da seguinte forma:

(0.3 * R$1,000,00) - (0.7 * R$300,00) = R$90,00

Isto significa que, perdendo ou ganhando Ana está na verdade ganhando sempre R$90,00 líquido por trade, no longo prazo.

Complementando, as seguintes perguntas são essenciais para se descobrir a esperança matemática:

Qual a confiabilidade, ou a porcentagem (%) do tempo em que você ganha?
Tamanho relativo dos seus lucros comparados com suas perdas?
Quais os custos pra se fazer os trades?
Qual a frequência em que você tem a oportunidade de operar / fazer trades?
Destaco a frequência operacional como um caso a parte e de grande importância.
Imagine que Ana faz 10 trades por ano.

Entao o lucro real de Ana, pela esperança matemática durante este ano será:

10 trades X R$90,00 (lucro por trade) = R$900,00

FONTE: http://statisticaltrading.blogspot.com/2006/11/encontrando-esperana-matemtica.html

sábado, 29 de dezembro de 2007

As "gregas" de uma opção

As chamadas "gregas" de uma opção são, tecnicamente, derivadas parciais do preço da opção em relação a uma ou mais variáveis que são fornecidas como entrada. Em bom português: dizem o que acontece com o preço da opção se as condições do mercado mudam.
Costuma se dizer que as "gregas" têm esse nome em função das letras gregas, mas na verdade a maioria delas, em particular as menos conhecidas, usam letras não-gregas. Quem criou o apelido estava pensando nos nomes das estrelas de uma determinada constelação.
Como qualquer cálculo financeiro, as gregas SUGEREM o que vai acontecer com o preço da opção. É claro que na prática o mercado pode comportar-se de maneira diferente. E como vimos, quando o preço de uma opção no mercado foge do valor teoricamente previsto, quem leva a culpa é a volatilidade, daí o conceito de "volatilidade implícita" -- a que faz teoria coincidir com mercado.
Não vou colocar as fórmulas das gregas aqui. Podem ser facilmente obtidas na Wikipedia, e são realmente muito complexas. Não seria nada prático calculá-las à mão. Sem mais delongas:
DELTA: Diz quantos centavos o preço da opção vai subir, se o preço da ação subjacente subisse $1. No caso do exemplo do post anterior, o delta é igual a 0.7123. Ou seja, a opção sobe 71 centavos para cada real de aumento em VALE5.
Mas o delta também varia com a variação dos preços, de modo que temos:
GAMA: Indica quanto o DELTA iria variar, quando a ação subjacente subisse $1. Para o exemplo, gama = 0,0628. Ou seja, se VALE5 subisse de 52,06 para 53,06, o Delta já passaria a ser de 0.7751.
Para quem curte uma matemática, o delta é a derivada parcial do valor da opção em relação ao preço da ação, e o gama é a segunda derivada parcial das mesmas variáveis.
TETA ou THETA: Indica quanto o valor da opção irá mudar pela passagem do tempo. O theta do exemplo é igual a -0.0621/dia. O resultado é sempre negativo, pois na verdade o valor da opção é quase todo uma conseqüência do futuro incerto. Na medida que o tempo escoa, o futuro vai chegando perto e o valor da opção vai caindo.
Quando a opção está há poucos dias de expirar, o THETA cresce muito depressa, em particular para opções fora do dinheiro (que vão virar pó). Quem quer comprar opções tem de ficar de olho no theta sempre.
Delta, gama e theta são as "gregas" mais importantes para avaliar investimentos simples em opções, pois indicam o potencial de valorização rápida (delta) e o desgaste pelo tempo (theta).
Das três, delta tem a maior importância teórica pois é o conceito central do cálculo de Black&Scholes: comprar "delta" ações e tomar um certo valor emprestado no banco gera o mesmo retorno que comprar opções, logo o valor dos dois é igual. No caso do mercado brasileiro, com as opções líquidas sempre muito perto do vencimento, o theta acaba sendo mais importante.
Outras "gregas" comumente encontradas:
VEGA: mudança do preço da opção quando a volatilidade subir 1%. Menos útil porque a volatilidade teórica acaba sendo sempre substituída pela volatilidade implícita, fazendo o preço da ação bater com o mercado, o que nos permite obter deltas, gamas e thetas mais consistentes.
Outra característica do vega é que, se você traçar um gráfico com o gama e o vega de diferentes opções, e colocá-los na mesma escala, eles serão exatamente iguais. Ou seja, se você visualiza o comportamento do gama, já está vendo o vega.
O vega para o exemplo do post anterior é igual a 0.0394.
RHO: mudança de preço da opção quando a taxa de juros muda 1%. Ainda menos útil pois as taxas de juros não mudam muito, nem muito rápido, e o curto prazo das opções no Brasil deprime muito o efeito dos juros no seu preço. O rho do post anterior é igual a 0.0165.
SPEED: a variação de GAMA em relação ao preço da ação. É a terceira derivada da opção em relação à ação. Ainda não encontrei uso prático para ele, mas se alguém inventou, achou que servia para alguma coisa...
DELTA DECAY ou CHARM: essa é engraçada... representa a mudança do delta pela passagem do tempo. Essa parece mais útil; se alguma operação sua baseia-se no comportamento do delta, é bom saber o que acontecerá com ele conforme aproxima-se o exercício. Mas confesso que também não enxerguei oportunidade de usá-lo, ainda.
No seguinte artigo você encontra um monte de gregas e suas respectivas fórmulas: http://en.wikipedia.org/wiki/Greeks_%28finance%29.
O livro do Bastter fala muito de "operações delta positivo", "comprar gama", "vender gama" e por aí vai, que tem a ver com as gregas acima descritas.
Uma operação delta-neutra, por exemplo, é aquela onde a soma de todos os deltas de todos os ativos é igual a zero. Isso quer dizer que o valor do pacote não muda mesmo que o preço da ação subjacente mude. Quem não quer ter surpresas com um "gap" (mudança brusca) nos preços, procura delta neutro.
Normalmente isso exige que se faça ajustes periódicos, comprando ou vendendo ativos, pois o delta é neutro hoje mas cada ativo terá um gama diferente, e na medida que o mercado anda, cada delta oscila de forma diferente, quebrando a neutralidade. Tentar criar um investimento com gama e delta ambos neutros provavelmente vai resultar em investimento que não dá lucro algum.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Porque querer o Investment Grade?

FONTE:

O MERCADO GLOBAL

Numa sala, no alto de um prédio da Lombard Street, em Londres, um grupo de rapazes e uma moça sentam-se em torno de uma mesa decagonal, cada um deles armado com 2 telefones. Vez por outra, fazem girar o centro da mesa, que está apinhado de catálogos de obras de referência, ou olham para as telas de computador que, instantaneamente, exibem os preços oferecidos pelos bancos em Tóquio, Frankfurt, Cingapura ou Bahrein.
Esta sala de operações cambiais, explica um deles, constitui o verdadeiro coração de um banco: aí o mercado global adquire carne e sangue e pode-se sentir sua agitação. Dessa mesa, não é difícil imaginar o sol levantando-se e pondo-se em volta do globo: pela manhã, acabam de fechar as bolsas de Tóquio; em princípios da tarde, Nova York torna-se ativa; em fins da mesma tarde, a Califórnia desperta. Há cerca de 8 mil desses corretores em todo o mundo, de 20 nacionalidades diferentes, quase todos eles com menos de 40 anos: a tensão é excessiva para homens mais velhos e fala-se em colapsos nervosos, casamentos desfeitos e doenças psicossomáticas. O senso de poder e conhecimento que ela transmite pode ser embriagador.
É emocionante o indivíduo sentir-se capaz de influenciar o destino de uma moeda mundial; uns poucos corretores podem afetar durante dias o mercado de dólares.Na linha direta com Hamburgo, pode-se entreouvir frenéticas discussões entre os alemães. O petróleo é a moeda crucial; em todos os casos em que se torna iminente uma carência de petróleo, o banco rapidamente vende ienes e compra libras. A maioria das mudanças súbitas nas moedas, porém, não se deve a qualquer fato político, mas a fatores técnicos: uma empresa multinacional, como a Volkswagen ou a Exxon, pode transferir uma soma imensa de dólares para marcos alemães, acarretando a queda da taxa do dólar.
Mas são ainda feitas, envoltas em mistério e especulação, grandes transações entre moedas. Quem está comprando? Quem está vendendo? Os árabes entrarão ou não no mercado? Estará o Swiss Bank comprando em nome de seus amigos sauditas?
("The Money Lenders", Anthony Sampson)

sábado, 22 de dezembro de 2007