" O futuro tem muitos nomes. Para os fracos, é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade." (Victor Hugo)

domingo, 23 de dezembro de 2007

O MERCADO GLOBAL

Numa sala, no alto de um prédio da Lombard Street, em Londres, um grupo de rapazes e uma moça sentam-se em torno de uma mesa decagonal, cada um deles armado com 2 telefones. Vez por outra, fazem girar o centro da mesa, que está apinhado de catálogos de obras de referência, ou olham para as telas de computador que, instantaneamente, exibem os preços oferecidos pelos bancos em Tóquio, Frankfurt, Cingapura ou Bahrein.
Esta sala de operações cambiais, explica um deles, constitui o verdadeiro coração de um banco: aí o mercado global adquire carne e sangue e pode-se sentir sua agitação. Dessa mesa, não é difícil imaginar o sol levantando-se e pondo-se em volta do globo: pela manhã, acabam de fechar as bolsas de Tóquio; em princípios da tarde, Nova York torna-se ativa; em fins da mesma tarde, a Califórnia desperta. Há cerca de 8 mil desses corretores em todo o mundo, de 20 nacionalidades diferentes, quase todos eles com menos de 40 anos: a tensão é excessiva para homens mais velhos e fala-se em colapsos nervosos, casamentos desfeitos e doenças psicossomáticas. O senso de poder e conhecimento que ela transmite pode ser embriagador.
É emocionante o indivíduo sentir-se capaz de influenciar o destino de uma moeda mundial; uns poucos corretores podem afetar durante dias o mercado de dólares.Na linha direta com Hamburgo, pode-se entreouvir frenéticas discussões entre os alemães. O petróleo é a moeda crucial; em todos os casos em que se torna iminente uma carência de petróleo, o banco rapidamente vende ienes e compra libras. A maioria das mudanças súbitas nas moedas, porém, não se deve a qualquer fato político, mas a fatores técnicos: uma empresa multinacional, como a Volkswagen ou a Exxon, pode transferir uma soma imensa de dólares para marcos alemães, acarretando a queda da taxa do dólar.
Mas são ainda feitas, envoltas em mistério e especulação, grandes transações entre moedas. Quem está comprando? Quem está vendendo? Os árabes entrarão ou não no mercado? Estará o Swiss Bank comprando em nome de seus amigos sauditas?
("The Money Lenders", Anthony Sampson)

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